diálogo improvável

domingo, 25 de fevereiro de 2007 às 17:23

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- olá
- e tu?
- estou aqui.
- porque demoraste?
- já ia alto quando adormeci. fechei os olhos e dei por ti aqui.
- que sentiste? gostaste?
- fiquei, senti estática, e quando retrocedi um passo, voltei os olhos e no passado, o teu reflexo.
- ela sabe que vieste?
- dorme.
- e?
- foi quando me apercebi. a carne esborratada, a tela tinha duas linhas convexas numa parede perpendicular, no teu sorriso. foi quando avancei e aqui estou.
- estás comigo.
- torço por ti.
- desembrulha-te dela num sorriso.
- não resisto, continuo. e tu vens?
- não posso. vou ver o benfica.



J

not funny

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 às 11:49

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em viagem

às 01:12

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somos a sombra que se debruça em nós
na noite
na segurança de um abraço qualquer
a respiração, a transpiração em ti.

o cheiro da volúpia, do tropeção sôfrego na tua carne
- e o apetite sangue, o doce sabor
o requinte de provar o teu cheiro,
aroma de palavras que não trocámos,

- rápido
entusiasmo de estrelas, do brilho da lua,
reflectido na tua face,
uma mais bochecha de carne,

um simples beijo,
- o teu nunca simples beijo,

a tua figura/silhueta/sombra
- o amar das tuas formas

uma atrás da outra, as mãos, nossas, em caminhos sempre jovens,
um beijo, mais um, o enlace,

o suspiro feito recado junto ao teu umbigo,
onde o teu sexo brota, incandescente,
nas brumas do êxtase,
o novo prazer, uma e outra vez,

da tua carícia,
que me faz caír em mim.


J

somos de almada e somos mil

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 às 23:18

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a isto chama-se partir a boca no chão,

esfregar a fronha com tanta força na lama até se ver o esmalte dos dentes por debaixo da carne podre, adoentada e por sinal, de um antigo vermelho,

arrancar os olhos das órbitas e deixar o líquido amarelo, pus, brotar do sofrimento existencial, da mitológica paixão pelo benfica,

somos de almada e somos mil, somos um cliché que a todos calha bem, tanto aos do poder como aos com poder, de ser, de decisão do talvez não,

assim não, assim assim, corremos pra voltar a bater com a cabeça no chão, ultrupassámos a nossa própria ignorância com tanto espanto no esgar do nosso adversário, e tropeçamos uma e outra vez sem notar que já passámos a meta, na casa da partida, sem receber 2.000$ escudos.

sou como o rui costa, bailo e descanso para deixar bailar, remato com a doida convicção de que irei acertar na baliza ou de pelo menos, estreitar os postes que a definem.

Chego para a tua sombra que continua a meio campo, presa nos meus pitons, no cheiro da mão esquerda, aquela que esfrega o escroto antes de uma jogada importante.

Sinto nojo de quem sou perto de ti, embrulhado num asco vil, de amarelo sorriso.


J