- olá
- e tu?
- estou aqui.
- porque demoraste?
- já ia alto quando adormeci. fechei os olhos e dei por ti aqui.
- que sentiste? gostaste?
- fiquei, senti estática, e quando retrocedi um passo, voltei os olhos e no passado, o teu reflexo.
- ela sabe que vieste?
- dorme.
- e?
- foi quando me apercebi. a carne esborratada, a tela tinha duas linhas convexas numa parede perpendicular, no teu sorriso. foi quando avancei e aqui estou.
- estás comigo.
- torço por ti.
- desembrulha-te dela num sorriso.
- não resisto, continuo. e tu vens?
- não posso. vou ver o benfica.
J
diálogo improvável
em viagem
somos a sombra que se debruça em nós
na noite
na segurança de um abraço qualquer
a respiração, a transpiração em ti.
o cheiro da volúpia, do tropeção sôfrego na tua carne
- e o apetite sangue, o doce sabor
o requinte de provar o teu cheiro,
aroma de palavras que não trocámos,
- rápido
entusiasmo de estrelas, do brilho da lua,
reflectido na tua face,
uma mais bochecha de carne,
um simples beijo,
- o teu nunca simples beijo,
a tua figura/silhueta/sombra
- o amar das tuas formas
uma atrás da outra, as mãos, nossas, em caminhos sempre jovens,
um beijo, mais um, o enlace,
o suspiro feito recado junto ao teu umbigo,
onde o teu sexo brota, incandescente,
nas brumas do êxtase,
o novo prazer, uma e outra vez,
da tua carícia,
que me faz caír em mim.
J
somos de almada e somos mil
a isto chama-se partir a boca no chão,
esfregar a fronha com tanta força na lama até se ver o esmalte dos dentes por debaixo da carne podre, adoentada e por sinal, de um antigo vermelho,
arrancar os olhos das órbitas e deixar o líquido amarelo, pus, brotar do sofrimento existencial, da mitológica paixão pelo benfica,
somos de almada e somos mil, somos um cliché que a todos calha bem, tanto aos do poder como aos com poder, de ser, de decisão do talvez não,
assim não, assim assim, corremos pra voltar a bater com a cabeça no chão, ultrupassámos a nossa própria ignorância com tanto espanto no esgar do nosso adversário, e tropeçamos uma e outra vez sem notar que já passámos a meta, na casa da partida, sem receber 2.000$ escudos.
sou como o rui costa, bailo e descanso para deixar bailar, remato com a doida convicção de que irei acertar na baliza ou de pelo menos, estreitar os postes que a definem.
Chego para a tua sombra que continua a meio campo, presa nos meus pitons, no cheiro da mão esquerda, aquela que esfrega o escroto antes de uma jogada importante.
Sinto nojo de quem sou perto de ti, embrulhado num asco vil, de amarelo sorriso.
J

