é verde, respira e vive como eu, ali germina, cresce e espalha-se pela parede. sufoca o branco, esconde-o e torna-o seu. somos um, eu e o musgo, somos mais que o tudo, mais do que aquilo que possas alcançar. arrebanha-se a roda que range que reage ao ruído da roupa que se rasga. e não sou quem escuto.
a sombra projectada na parede indica-me meia-noite.
há maneira de identificar um sonho defunto pela vida que deixou atrás de si, através do cheiro sangue quente, rubro, que brota da jugular distorcida pelas minhas mãos?
gostava que este ano fosse mais curto que os precedentes. menos vívido (um dia, tantas vezes o desejo que se há-de tornar realidade).
não há respostas definitivas - não às respostas definitivas! seremos sempre um mistério a que nunca seremos capazes de responder - e seremos os únicos incapazes de o fazer. somos livros abertos, de contracapa virada do avesso, para fora, para dentro nada. continuemos então a labutar, permutar dúvidas entrelaçadas em palavreado que tenta ser verdadeiro, seremos sonhos esbatidos da imagem que temos de nós, recusaremos a vingança por não ser nossa, por ser de quem a torna sua. morremos de saudade a cada inspiração e não largamos a meada para seguir o fio que se desprende. caminhamos descalços, entorpecidos na vã esperança de gozar ambos os minutos de liberdade reservados em nosso nome, com uma vida de antecedência.
perdão, com um balázio sorridente peço desculpas por todos aqueles pedidos de desculpa.
não há resposta para a minha pergunta, a nossa dúvida, há apenas um sorriso de que tudo irá correr como planeado, ávido por caos, sem dúvida alguma, pergunto.
já sobejam as noites de ócio solitário na velha mesa de jogo.
J
o musgo que cresce na parede da minha casa
somos êxtase
e vingo-me das tuas palavras,
de feio, sou o que procuras, de belo, quem desdenhas,
sou quem trocas pelo belo sexo,
quem te embala, na noite boa.
fico prostrado para o prazer de ti,
e reconheço, aprecio isso, e nem que feches os olhos eu deixo de existir.
apenas busco a liberdade, de quem na sombra,
durmo,
e sonho contigo, perto, num abraço, nos umbigos que se trocam, de mãos fechadas, agarradas, no teu sim quando tudo o mais já não importa,
somos êxtase e somos memória,
pecado que não volto a ter, estar contigo todas as noites.
na floresta jogo quem me desafia e venço,
sempre.
J
respiro os teus lábios
estou na mira de quem passa,
de quem se passeia pela minha vida,
observa nada,
um buraco observa.
sou quem tentas enganar dia após, e fico-me,
deixas-me nos braços,
fico-me e o calor sobe, desce, sei quem és nos meus braços.
fito-me no espelho, sei quem e como a parede q sou.
quanto mais penso no nós, mais sózinho fico,
na sombra, quando fumo o último cigarro,
e sou quem temes, adamastor e pastor, sem um silêncio, mas todo.
amo-te à noite, quando suo, e respiro os teus lábios,
sei por onde te esvais num riso teu.
quero ficar contigo, connosco, e já é tarde.
levanto-me para mais uma manhã,
uma nova manhã,
no clube dos 27.
J
