LX

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 às 10:30

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seria uma visão magnífica, acordar de manhã e vê-la afogar-se lentamente na sua miséria. Ouvir os seus últimos, soluçantes e sôfregos espasmos, gritos, de boca escancarada, a tentar agarrar-se à vida com os dentes, como um beijo longo, letárgico, à última bolha de oxigénio que a separava de uma vã existência e a de nenhuma.

como seria belo vê-la contorcer-se quando os seus magníficos seios fossem a única réstia daquela mulher à superfície. os dedos das mãos, esticados, quebrarem-se, estalarem como galhos secos, desprovidos de vida, com a força de quem sabe que está a morrer, hirtos, em êxtase.

ver o primeiro inspirar de água, de lágrimas, e observar o pânico nos seus olhos. Sentir-lhe as veias a inchar, a metamorfosearem-se em mil cores azuis.

e toda a sua negra tez caiada num branco manto enquanto todo o seu peso, imponente/farta mulher, a puxava para fundo.

quando a sua agitada dança cessasse, quando os seus delgados braços desistissem de alcançar os meus, e aquele último sorriso, aquele que nunca ninguém imaginasse possível, esboçado em leves pinceladas nas suas pálidas mas redondas bochechas, surgisse, de olhos bem abertos, apenas para mim.

sorria apenas para mim.

toquem os sinos.


J

podemos sempre embrulhar-nos nas mãos

sexta-feira, 23 de novembro de 2007 às 10:48

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podemos tropeçar, embrulhar e brincar ao desembrulha, puxar e sentir as unhas que se cravam na pele, despir os dedos e vesti-los nos teus, criar cadeados nas mãos entrelaçadas e em quebrá-los em seguida, no último sopro antes do próximo suspiro, gemido.

e quando acordares, escreve-me com saudades.

vemos-nos noutra vida, talvez noutro quarto.

J

PS: clichês.. clichês...

enroscar-nos no sofá

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 às 18:17

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pudesse eu esmagar-te os dedos num embate frontal com os meus olhos:

agarraria nas tuas côxas e iria saboreá-las, uma e depois a outra, e talvez ambas ao mesmo tempo, num lume nada brando, feito festim canibal, lambendo o sangue dos dedos (tudo sem lavar as mãos claro está).

estaria na linha de chegada a aplaudir-te sempre que chegasses em último, violada e gasta, pelo ardor dos fãs, sempre que as bandeiras descessem, lá estaria eu, com a tua sobremesa favorita, aplaudindo, com troféus de lama, memórias de outros cursos de outros percursos, sei.

gostaria de te esmagar os dedos num embate frontal com os meus olhos.


e depois podíamos-nos enroscar no sofá e ver tv e envelhecer e assim e juntos.
- piada macabra, sei.


J

albicastrense

quinta-feira, 8 de novembro de 2007 às 10:32

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pintem as ruas de vermelho,
soltem as luzes mil,
de multicolor-negra,
deixem os pulsos jorrar nas ruas o desespero de quem grita por dentro,
a memória que lhe rasga os olhos das órbitas.

ajoelhem-se e rezem,
não chorem pelos mortos mas tenham piedade dos vivos.

o filho do diabo chega à cidade.



bjo,


J