Segunda, 26 de Abril de 2004
-
dá um passo e vê como tudo cai no abismo diante de ti
pernas colidem, braços agarram-se,
pés dançam-se em lentos sorrisos,
linguas dizem segredos aos ouvidos,
e sucumbem em êxtase ao sabor.
-
agarra os rios de suór que jazem em mim
e leva o que quiseres,
solta as amarras,
mas fica…
-
palavras mudas, gritos secos,
olhos de sal fecham com a luz
e vêem verdadeiramente
a praia onde todos os rios se entregam.
-
desperdiça um beijo no vento
e pode ser que ele te cubra de céus.
-
heheheehe isto é só pérolas antigas. pá!
J
Desperdiça um beijo no vento
Take a bottle, drink it down and pass it around..
Sexta, 2 de Abril de 2004
Fico aqui a ver as estrelas e tu cresces sobre tudo,
Sobes pelo vento, maior que a vida e ficas aí,
Olhas de cima como se fosse tudo natural,
Tudo normal,
Sei, já cheguei lá.
- Incerteza, não ser, ou talvez.
Agarra os turbilhões de luzes que passam,
Agarra-te firme e puxa,
puxa com força e talvez uma caia
e fique contigo.
Não sei porque e nem sei se deva saber,
mas desenterrar tesouros na areia,
trocar a minha mão com a terra,
agarrar-me a ela e sentir,
isso.
a terra
e ficar ali,
a sentir o sal na boca,
e espreguiçar os lábios em ti.
Deixa-te ir com a maré,
fecha os olhos e vê o que quiseres ver,
é um rio isto de vida,
vai corre passa e ultrupassa,
enche e vaza.
e sentes…
a terra move-se e abre-se como se para te abraçar.
descobrem-se coisas giras na net. achei isto aqui.
J
estreita
Radiohead - Fake Plastic Trees
inconfundivel som o de um moribundo, gente que morre com conhecimento, sabe que morre.
frio augúrio, doce destino, inevitável acidente de corpos estropiados,
de feridas infectadas, membros pálidos, outros negros de gangrena,
porque é isto que nos sofre, quando nos metemos connosco,
quando nos escolhemos para este desafio.
e pergunto-me a mim mesmo, quanto mais tempo,
quantas mais respostas necessitas para empurrar um pouco de água nesta cadavérica garganta.
vou-me vingar disto, de ti e do resto, com a vontade que tínhamos quando dançávamos,
agarrados à vida em nós, sons e notas em perfeita harmonia com o tempo e espaço,
funerais de nós, para nós, sem carpideiras e cerimónias, apenas cinzas espalhadas no vento,
apenas pachorrentos raios de sol.
por isso prepara-te, olha em volta, açambarca o deserto que se estende além do horizonte,
engole o caminho que te estreita antes que seja tarde, antes que seja tarde.
costumavas ser tão meiga.
J
o poder
os semáforos piscavam, latejantes, amarelo, atenção, cuidado com o despiste iminente, avisavam. seguias em frente, descendo a janela do passageiro. os bancos macios, de pele gasta mas conservada, sentavam-te confortável e confiante, absoluta e massiva ao volante, a virar à direita e à esquerda, o destino assim o previa. as marcas dos pneus, queimadas no alcatrão seco e quente, julgavam o perdão que havias deixado intocado. lentamente sussurravas as palavras que o teu coração queria gritar. nunca te irias resignar ao julgamento que te haviam feito.
descias a ravina com fúria, tesão pura de adrenalina, com o suor que te escorria da testa, justiceira em busca de justiça. não existe descanso até que o cruel crime tenha um culpado, até que haja sentença e execução. sentias o trepidar do motor nos dedos, vacilando toda a raiva que balançava dentro de ti, lâmina perfeita, sedenta de sangue. alguém havia de pagar.
encostas, tens que meter gasolina. páras e desces. um pé e o calor abrasador da rua que te irrompe pelo peito, soprando os cabelos e mentiras junto ao ouvido. não ligas. sais imponente, esmagas tudo à tua passagem e atestas - num fósforo, e só tu tens o poder de juíz. a sombra do inverno que se ergue no horizonte, são horas.
voltas, aceleras, carregas a fundo no acelerador, rápido o estímulo, a carícia no asfalto, e a fria vingança pela frente. não havia lugar para aquele tempo, gasto a pensar. havia que agir e sabias disso. arrancaste todos os dentes e afiaste os dedos, no sentimento que te tornava negra, cada vez mais perto, sempre que fechavas os olhos. traías-te.
não conseguias decidir o método. a maneira de como trazer o fim a esta triste história. ninguém podia sentir o medo, nem ouvir as culpas que te sangravam os olhos. como desprezavas a vida. a última recta e o momento em que ouves todos os ossos do teu corpo a quebrarem-se em uníssono, numa fractura do tempo e do espaço, tudo tão violento e tão belo. os teus olhos que saltam das órbitas, agarradas ao volante as mãos, dentro do peito, e os cabelos projectados para a frente, na tua última dança. havia uma sombra de ti estendida por todo o caminho que tinhas deixado para trás. vingança tomada nossa, em teu nome.
e não consegues decidir, ainda.
J
doença
Portugal. The Man - AKA M80 The Wolf
nasce e cresce, sai da cama,
serão todos os momentos assim até morreres,
- até seres apanhada ou pior.
ouve a face na pedra que te cumprimenta,
não há nada neste mundo, neste reino,
que derrote as mãos que te observam,
os olhos com que vês o sangue ferver,
paranóia ilusão movimento subtil e violento,
traduzido em nauseas e arrepios,
tonturas - e o desequilíbrio que invalida qualquer perdão.
tentas chegar a melhores dias,
arrastando a velha carcaça por entre os destroços,
campos de morte semeados espalhados nas luzes da cidade,
em corpos que se fodem frenéticos, sem sentido,
inconscientes da beleza que se lhes escapa.
paz.
J
a maré que segue o sol
Radiohead - Weird Fishes
não há paz que não perdure na guerra. frágil o tempo que passa, para a frente ou para trás, muito provavelmente para trás, pendurado nas lágrimas que vertem da tua face. deixas uma para trás, segues-a com o dedo na tua bochecha. é só. esmagada pela inocência das linhas impressas no teu sorriso. e não consegues entender onde é que erraste, onde é que te perdeste, te desviaste do caminho.
não percebes o que é para cima quando estás de cabeça para baixo e sentes o pulso dos teus pulsos nús, deitados desistentes desertos pela água que derrete as mãos as mãos e a paranóia, medo intenso do desconhecido que afinal é teu primo. e podias-lo ter morto, sem convite, nos anjos quando conversavam, rápidos e eras luz eras a vida que te desprende dos lábios, orgasmo celestial rápido e fugaz, eterno em ti e em ti, que te recordas cedo, doce tão desprendida tão doce, mágico o lugar o tempo que trancas em séculos de joelhos no chão, prostrada da dor amarela, vermelha de raiva e sabes que vives que vives em sintonia com a confusão latente das veias que jazem no chão, junto a teus pés.
não pode ser, corres e foges, escondes-te na sombra e vês que chegam, chegam para ti, para amarrar o teu sorriso, amarrar, aquilo, o mais belo.
e agora que nos encontras-te. agora que sentes que a viagem chegou a bom termo, não consegues - tens que conseguir - não consegues confiar no vazio, paisagem pintada púrpura.
e pensas.
e cantas, deixas-te levar pelo som da ponte que balança ao fundo, das ondas do rio que esboçam o por do sol para ti, és paz, levantas-te altiva e solene, e levas-me contigo, para o oceano mais profundo.
J
pode ser já?
deixaste-me preocupada - disseste. estava frio. respondias à eterna desculpa, criada na máquina que guardas secreta na língua. obrigaste-me a tomar uma posição, - estava doente, podes-me ajudar? - e disseste que tinhas razão - sempre a tiveste, de uma maneira ou de outra - e como estavas farta de tudo. mas preferiste despejar a lembrança de quando partiste.
somos o milagre, a descida das escadas e subida, na luz que quebra a noite em dedos que rasgam a carne. provas a tenra separação dos corpos, unidos em suór e nos poros que respiram sufocados, na delícia de mil beijos.
continuas, e experimentaste os medos que te serviam, irrompendo em imersos infernos de lágrimas deixadas abandonadas ancoradas por navios distantes.
não há noite que não desista, que verte a sua essência para um novo dia - pára não digas isso - é a verdade e tu estás confuso - confuso? lambe-me as feridas e depois podes-me chamar isso - não fui feita para isso. estás combinado para a vida, mesmo com as trinta facas que trazes sempre contigo - não e não, não percebes, não és serás nunca capaz de entender o que é arrancar o coração - blá blá blá - chupar-lhe o sangue com os dentes, em sem controlo, caralho, apertar e beijar a mancha que sobra, chora - demasiadas desculpas - e.. não são desculpas - não faz mal, eu perdoo-te quando caíres nos meus braços - pode ser já? - não, ainda é cedo - rezo então.
J
éme
consigo sentir o teu sorriso nos teus ossos. moves-te como a estrelas, voluptuosas deusas do nunca.
nem as 60 ilhas que te protegem seriam capazes de derrotar a mania extrema obsessão doente grave dor que te prova.
comoves-me.
- em que é que pensas?
- no dinheiro e nas estrelas, nas noite violentas que criaste a partir do sonho.
- e achas que estás mais perto da luz?
- empurro a luz com os dentes, na esperança de que te furem os olhos.
- não sabes nada de tudo. és sombra que temes quando o sol vai alto.
- deves. não há mensagem subliminar que me faça deixar de pensar na morte certa, subida ígreme até ao planalto de sal eterno, fogueira imensa, estendido em ti para sempre.
- não me temes?
- só a luz.
e não me deixes morrer, e não me deixes asfixiar-te em lembranças que te perseguem, de noite em noites, criadas no teu sexo.
amo-te!
e quero arrancar as veias dos meus braços uma a uma, embrulhá-las, garrote magnífico, no meu pescoço, voar da cadeira e preso nos céus, sem pousar os pés em terra.
e sobre esta queda, deixa-me a vergonha que tens de mim, porque é tudo tão fácil aqui em cima, longe, mas tão perto que sinto o cheiro dos teus cabelos no ar que engulo uma e a última vez. se te peruntares porqueê, pensa nas horas momentos de pancada, porrada, porque é a última vez, que te perguntas porquê.
o sangue azul que me suja a ponta dos dedos, nos teus olhos choram lágrimas velhas, ultrupassadas e deixadas para trás na poça de sangue que deixaste no chão rubro deste navio.
rasgas e mordes com a ideia de um mundo melhor. de mais sangue solto nas tuas mãos.
J
fodaaassssssseeeeee
sempre me perguntei se a noite foi sobeja,
se gostas de me ver a apanhar os estilhaços de vidro dos olhos,
e como um a um,
sonham tão doce sono, o de te manter
e não há como virar,
alterar o plano de vida, não há seguro,
mergulhar a tua cabeça num grito farto,
porque eu sei, não sei,
o quanto custa arrancar um suspiro do teu corpo.
ama-me e protege-te,
já, aqui, e agora,
abraça-me e sê tudo,
embalado e etiquetado, gravado nas mãos,
e procura,
é tempo da colheita,
e crescemos,
em voos nocturnos.
não consigo pensar, não consigo exigir que tentes passar a fórmula do medo através das grades que irrompem do teu ventre.
não há memória de tamanha revolução
neste mundo e no próximo,
quando de cabeça erguida possuíste o que era de mais sagrado para todos,
numa desastrosa dança com o firmamento.
sei, sei que, sei que dói.
sei que a dor é demasiada para as frágeis mãos que te sustêm.
J
palhaços e trapezistas
podias vaguear, cruzar as pernas sem outros interesses ou intenções,
piscar os olhos e saber que, ao voltar a abri-los tudo estaria na mesma,
correr, trotamundos indomável, numa fuga sem fim à vista,
e ter aquele sorriso estampado nos lábios,
aquele despreocupado que usas tão bem.
vê, palhaços e trapezistas, mágicos e leões ilusionistas,
cores nos dedos e algodão doce, as notas da vida de luzes mil,
e os violinos que tocam para ti, junto ao ouvido, junto do coração,
dizem-te que não termina aqui, tudo começa, tudo cresce e vive,
sente, sente a primavera do teu primeiro beijo,
e os abraços do teu primeiro amor.
ah, a chuva que desce alegre num dia de verão,
e as bicicletas que te levavam ágeis de chegar a lado nenhum,
sem destino, por paisagens de cabelos espreguiçados na tua cara,
rumando ao inicio, de onde tudo começou,
naquela fotografia que guardas em ti, junto ao peito,
que acarinhas, tesouro de mil almas e paixões.
como era belo o dia em que morremos.
J
coisas felizes
são bolas de sabão que te acordam,
com a gentil brisa de verão,
transportando sonhos e risos,
que deixaste junto ao rio,
onde as flores irradiam
toda a luz do mundo.
deitada na relva,
olhas as nuvens que te embalam,
ouves o vento que canta
por entre as folhas das árvores,
sentes a terra húmida e viva
e cheiras
- a fragrância doce dos dias que não acabam.
baila descalça,
festeja com os pássaros que chilreiam melodias que só tu conheces,
abraça o sol com força e graça,
hoje, festa e alegria,
e mergulha os olhos no fogo de artifício que cai do céu,
espalhado em pétalas brancas que chovem gentis,
espreguiçadas no contentamento e euforia,
do meu funeral.
J
na tua dança
não durmo não descanso,
e a noite que se torna dia.
ouve-me, aqui sofro, somos dois e nada mais, nús, de tempos sempre perdidos, calculados na rápida conjugação dos astros, amantes e tudo o mais, abre a janela, abre-a, e vê, quem é que se importa com o mundo quando nos temos um ao outro e quando tu estás morta?
acalma-te, não empurres a vida com a pressa de chegar a noite, o corpo que levantas na rotina do fechar de olhos não é o meu. desejo que fosse.
gostava, uma morte lenta, sofrida, em brasas espalhadas nos sete pontos, levar ao fim e ficar, sereno, longe de uma eternidade, vida inferno.
ainda te vejo a tirar a roupa, a transformares-te em lodo, na tua dança, aquela que fazes tão bem.
e sinto-me tão vivo.
J
a tua tenra carne
cuidado,
a matança.
dentes afiados,
aqueles que te rasgam,
os quarenta olhos que te violam,
os pés que te pisam,
o sangue que espirra a violência das provas,
e toda a existência cravada nas tuas unhas,
prende e prende,
puxa e não consegues,
o fôlego que te escapa.
gritas e sente a lâmina que fere as costelas,
os teus fartos seios primeiro, e o coração atrasado.
os gritos que me fazem dormir em luxúria.
a lâmina é romba - vem-te sentar, sente os meus ossos - é fria e esguia,
metal sujo.
posa para mim,
rompe a jugular e deixa-me entrar,
sem tocar no chão,
e então beija-me. morde.
podemos ficar aqui toda a eternidade - a tua carne é macia, tão doce e meiga.
vem-te.
J
condizem com os teus olhos
úlcera fantástica,
e a claridade do dia que se aproxima,
és doce mas estou cansado,
o tédio lascivo da tua voz.
conta-me mais, mais perto da luz,
salva-te e escolhe os teu inimigos,
e deixa-me que te diga,
sobre o dinheiro e os sessenta dias de violência.
assenta a lápide e jaz,
perscruta o solo húmido, musgo, nas tuas palmas dos pés,
é tudo mentira, nos teus olhos,
vergonha de ontem, de ti.
estiveste a perseguir a verdade,
e pergunto-te porquê
- porquê?
o que te interessa, em desgraça,
estiveste a perseguir a verdade,
não digas que não quando queres uma hipótese.
estes velhos sentimentos,
reflectem-se em ti,
e é esta a razão, a verdade,
que buscas, porque te odeias,
sem vergonha de o esconder.
ainda hoje não entendo o porquê se queres que te diga - não queres mas eu digo-te à mesma - e se te perguntar porquê? não o negues - é tudo imaginação, mal contada, da tua mente, de joelhos, a carne fria, e lembras-me as nossas fotos, engolidas, nas fogueiras da idade.
julgo que irás um dia acordar,
- se acordares!
e irás tentar cortar os nós que te prendem as asas,
voar
- haha
para mais jogos e merdas que tais,
embrulhada em viagens irreais,
ver, e aqui estamos, dois que não conseguem ver.
separamos-nos na névoa da noite,
sinto-te na breve brisa gelada do teu hálito
e consegues provar a água nos meus lábios,
vinho sei, consegues ver,
a queda, o doce quebrar, estilhaçar da minha doença em nós.
esta noite regressas e depois retornas,
limpo-te o corpo, seco-te a vida dos olhos,
nesta noite, somos o único resultado de dois,
junção subliminar improvável incomensurável dos espíritos
que se mancham.
esta noite, em sangria desejas que acabe,
sem atenção, gostas de provar que estás só,
tudo se compõe, e quando choras,
a negra tez, olha-me a face, despe.
abro as mãos porque condizem com os teus olhos.
abro as mãos para as afogar nos teus olhos.
estás grávida e arranco-te os olhos.
J
sem nexo
ouve a terra que reclama o nosso corpo,
que desce devagar e sem desdém,
suspiro,
não há vestígios dos cortes deixados,
lenhos de tesoura e faca, desleixados,
trôpegos, sem nexo.
e queima, o brilho do culminar de tantos anos abandonados ao acaso,
sem destino previamente estabelecido,
enganos conformados e o caixão que já está selado,
pena.
desejo-a hoje mais que nunca, somente nós,
- eu e ela.
abraçados apenas esta noite e o resto da eternidade.
ajuda-me a vestir
o ímpeto da guerra nos teus olhos.
J
que caminho
sombras e vultos, falta algo aqui.
talvez consigas tudo aquilo que queres, envolvida em significados das coisas que encontraste pelo caminho, sem surpresas ou amuos instáveis, a estabilidade da rotina fácil e todas as outras coisas que surgem a horas, marcadas e pré-combinadas, negociadas, sempre.
estás cansada e apenas precisas de paz. de ver o nascer do sol como apenas o nascer do sol.
lembras-te naquela noite, em que apontei para a lua, cheia estava cheia
- não te lembras, a luz que nunca nos guiou para nós.
escondias-te, demasiado frágil existência para tentares descobrir aquilo que és, sonhos e tudo o mais, sem outros nomes sem resultados metafísicos que só a ti diziam respeito, nunca. não entendo ainda hoje como é possível ter tanta magia numa vida desprovida de ilusão, vazia em sonos lentos, juntos, sujos nas mãos que segurávamos tão calmamente nos gritos que silenciavam.
as lágrimas que se despedem de ti iram levar-te a casa, sem medo, mestres da realidade absoluta.
J
caixa de arsénico para a mesa 5 sff
dói-me a cabeça, latejante o desejo,
quero encontrar-me nos teus braços, crú,
enterrado todo e faz-me perdoar,
os sonhos que se mantêm, lentamente,
no olhar dela.
via-a eu via-a novamente e era apenas eu,
aborrecido,
no cruzamento,
vulgar doença, e sorris,
- encontramos-nos junto dos segredos que deixaste, são teus não os quero.
fútil esperança de querer mais, sempre menos daquilo que consegues ter.
não é uma fuga do senhor,
ele nunca existiu nos meus dedos.
o meu tempo é finito, fora de prazo, validade expirada há muito.
não queres entender que
- julgo estar atrasado para o meu funeral.
mas ninguém nos pode salvar?
J
amo-te caralho
Queens Of The Stone Age - Sick, Sick, Sick
e o rapaz pelo qual suspiras irá morrer nos teus sonhos, na vida que te deve, e que eu te dei.
vingança inútil este beijo, deixaste-o brilhar nos teus olhos a noite passada e agora quer mais, mais de ti e sempre, mais dele, sempre. demoraste uma eternidade a sentir as pernas e agora rezas, ajoelhada, deitada ou como te der mais jeito, no cimento, quando tudo piora, rezas.
era tão fácil, tão invulgarmente fácil, criar um mundo teu onde só possa entrar quem tu queres, mas não, claro que não, em braços carregas o peso do mundo, enquanto que trinta homens se revezam nas tuas costas. não sentes o pus? escorre-te pelos cantos da boca. estás morta mas isso já sabes. decompões-te, aborrecida, é tudo tão chato para ti. mas eles não te querem.
sangras curiosa, e suspiras, inspiras, expiras, perdida nos teus braços, acreditas mesmo que o teu destino é ter a vulva sempre molhada, bruta, em murmúrios crescentes? deves. não penses por um minuto que as etiquetas nos pés de quem te beija são diferentes da tua.
é bom? vejamos, morte, sangue, pus, ah claro, falta-te o negro coração, mas isso é fácil de arranjar.
num mundo tão... fácil, esqueces-te de como é, como se reage à luz, maldição e superstições do diabo e restos de paisagens esbatidas em fotografias penduradas, emolduradas em solidão. mas irás perceber que nem tudo, nunca, tudo, é nada. irás perceber, entender, que todo o tempo fluí apenas num sentido.... fácil, debaixo dos teus pés.
e não te consegues lembrar da face, dele, ou era ela?, és uma piada mal contada na casa de banho, na merda de uma casa de banho num qualquer bar, perto do largo de são paulo. irei sobreviver-te, e ah, peço desculpas por ter desperdiçado qualquer tempo que tivesses em mãos, sem ressentimentos ok?
os prepúcios sabem-te todos ao mesmo depois de regares a boca com vinho. é tudo tão... fácil, não é ou era, quem sabe. podiamos ter sido perfeitos tu e eu. mas vir-me nos teus lábios era tão.. fácil. resta-te a seiva que desce dos céus, despejada em brinquedos e outros artigos infantis que tenhas à mão. desapareces em tempestades e trombas d'água.
vou-te arrancar todos os pedaços do corpo, mãos, e desprender os restos que sobrarem da lama, lodo incomensurável, sem piedade, sem piedade, será cruel? talvez não mas, ergues-te surpresa com todo o movimento à tua volta, quando fodem como tu, contigo, já devias saber não? claro que não. todas as lareiras fogueiras do mundo não seriam suficientes para aquilo que mereces, dentro e fora e dentro e fora e novamente dentro e novamente fora, rápida e tremulamente, pendurada em fios e arames, dorida nas costas do peso, farta nos impulsos, de diafragma cintura cíclica bamboleante, sôfrega a maneira que escolheste para morrer. parte de mim adoece.
não há raiva nos teus olhos, cabisbaixa, passou tudo tão rápido, tão... fácil!
é tudo tão fácil quando não há anjos que te forcem no sexo, descuidados, porque, a raiva que te sangrava nos ossos jaz pútrida na carne que te queima a língua. engoles sempre, sem deixar de saber que, por causa disso, está algo dentro, que cresce nutre desenvolve medos que não, se desatam, os pesos que sentes nas côxas.
sim. é um mundo cruel. mas nós
gostamos.
J
vê
deseja mais uma noite,
que dure uma eternidade,
o abraço, não seguras um,
e sonho contigo.
enfrenta-me,
descarrega a tua alma em nós,
o abraço, que não seguras um,
e sonho só.
e mergulho em abraços, investidas, gestos lentos, sem laços para com o passado, sorrindo para o presente, deitados na noite, despedimos-nos calmos, tranquilos, e não há dúvida de que aquilo que desejas mais encontras em mim.
és minha.
abre as asas e mostra o teu âmago,
buraco negro, centro de todas as galáxias,
novelo fácil, e urges em gotas de tempo desfiadas nos meus sonhos.
não há nada de que me arrependa, nada que tenha deixado para trás, com rancor de mim, mas hoje abraço a noite sabendo-te comigo, embadlada em dedos, outros que não os meus.
e dói. beija-me, revolta-te. vem-te lesta. deixemos a razão que morre lentamente.
às portas do inferno corri, trepei os muros quando fugia de mim, ela aproxima-se, via-a ontem, fria sempre, sorria. vejo-me com poucos anos, insuficientes, para que regresses são e salva para mim - e ela espiava-me nas mentiras que contei.
se o tempo é curto, como criar, como agir em conformidade com todo o resto das palavras que se decompõem na luta, na descoberta dela, em breves instantes desejo-a mais forte, mais capaz de carregar o meu corpo na lâmina afiada de tanta mentira. vejo-te através da água que escorre dos meus olhos, contada cantada, nas estrelas em cima, e quero-te, aqui já, onde, aqui já, já!
e quando ela chegar serás livre, livre desta prisão em que te encontras, dentro de mim, enrolada em tretas e merdas que não interessam, isto claro, porque nada interessa, abre-te para mim, e mostra a morte em mim. e não pára de nevar.
não espero pelo casamento,
mas sim pela noite de núpcias,
aguardo o teu cansaço,
farta de perseguições em mi.
seolta-mne de amarras mil
dos pesos que crio em pensamentos moribundos
em cavernas, passadas largas para o vazio, morte certa,
agarrado às tempestades de outros tempos,
mentiras que cegam as verdades,
e não há um vazio,
uma sombra sem significado,
puta de valor hipotético,
criado em lembranças de nós, que nunca existiram, ainda não existem, e o que é que as ondas têm para me dizer agora? deixa-me ser a tua praia, abranda, quero mergulhar e espraiar-me em ti, lentamente, letargicamente e todas as outras palavras que me lembram os teus lábios, os nossos, os desejos que criaste em mim, todas as fagulhas que não consigo apagar dos meus braços, que queimam, geladas, em mentiras, mentiras, e dó, afundo-me novamente, sem respirar, e é tudo tão fútil que me repito, até que ela me venha buscar, navegante sem medo, de braços abertos, espera, sem medo, sem um suspiro e engulo em seco e abraço-a sempre, todas as noites e as outras que passo sem te ver.
puxa-me para perto,
só mais esta vez,
mais uma vez,
e quebra os pedaços que sobram desta carta,
porque estou farto de desembrulhar as palavras,
cansado, abraça-me,
segura-me na memória.
e porque quando morremos, deixamos de estar sós.
J

