faltam...

terça-feira, 24 de junho de 2008 às 22:49

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inverno do mundo

segunda-feira, 23 de junho de 2008 às 11:40

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as ideias que rebentam no limite do abismo,
fogos-fátuos que iluminam a verdade remediada,
na penumbra do dia o esgar de um sorriso que sopra ventos de tempestade,
que dançam pelo sumptuoso, desejo incrível, a morte suculenta.


J

demência

domingo, 22 de junho de 2008 às 23:12

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sonhava um dia poder levantar com orgulho a cabeça, em direcção ao sol que nascia no horizonte, rodeado pela imaginação que nunca me tinha falhado, embarcado nas vagas naufragadas de homens destroçados, restos das suas sombras e guerras, no amanhecer de uma nova vida que me abraçava forte, quente, bafejado pelos raios de luz que abriam os olhos semicerrados pela escuridão.

sonhava um dia ser quem querias que eu fosse.

sonhava um dia criar coisas com as mãos, pegar no barro húmido e dar-lhe forma, moldá-lo nas loucas ideias que me escorrem pelas frestas das guelras, em homem tubarão ou lobo solitário, longe de casa, perdido nas memórias do futuro certo, já gasto de tão calculado, destruído nas vagas sílabas que arrancava a cada soco, pancada seca na verdade cuspida em sangue, lobisomem ancião.

sonhava um dia poder rapar o cabelo da cabeça com a ponta dos dedos cravados na carne.

sonhava um dia crescer, perder a inocência frágil que abençoa a brisa fresca da primavera, naquela quinta onde cresci, rodeado de pântanos e galeões de piratas, distraído das palavras que me ecoavam rápidas sem vontade, apenas um destino, não havia que justificar, apenas fazer. mergulhar na lama de sorriso na cara, crente na fé humana, aquele ardor que nos vem de dentro quando sabemos que algo está certo, não há como negá-lo, não há possíveis nem impossíveis, apenas há o tempo que serve para gastarmos gulosos.

sonhava um dia poder morrer com todas as dívidas pagas.

sonhava um dia subjugar a vontade, dobrá-la, chamá-la à atenção da virtude, à carne fétida que explode em bolhas de pus, envaidecida que está pelas vozes na minha cabeça, sabes. sei o que está do outro lado e não quero trepar o muro se posso continuar a ser rei do meu castelo. alegre e feliz. alegre, feliz. não me lembrava de como era, da raiva de não conseguir estalar os dedos, ser dependente das sombras que nem se lembram do meu nome, escolhido ao acaso para liderar a marcha solene do leve caixão que segue vazio com vinte-e-nove cavalos negros que o escoltam atrás.

sonhava um dia poder conversar com o meu esqueleto, contar-lhe piadas e assim.

sonhava um dia, sonhava um dia poder tocar-te, dizer-te baixinho ao ouvido "consegues ouvir a voz que me cega? consegues ouvi-la? diz-me, consegues?", e mostrar-te o mundo, arrancar os olhos das órbitas e dar-tos, mostrar-te o meu mundo, e crescem-me as unhas, esgota-se a pele das paredes da casa, e sobejam orgãos - rins, fígado, o pâncreas guardo para mim, coração - sobejam em pestilência uníssona junto à lareira, perto do copo de vinho quente, com o estranho gengibre que me mancha os dentes, ah... a doce cicuta.

sonhava um dia poder dormir embalado nos teus braços de celofane.

a vida que deixa de ser controlada, cronometrada ao segundo, que deixa de ser minha, vertigo brusco pelas entranhas da morte que me busca apenas mais uma vez.



J

carne pus sangue morte.

teodolito

às 16:48

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why can't you look the other way..
rasgar-te a boca e arrancar-te cada mentira que te apodrece os dentes, uma a uma,
desligados do caos que ousa perturbar os sonhos dos gigantes adormecidos,
surpreendidos pelas vozes, irão levantar-se para esmagar todos os opositores,
tombando os vultos que te cercam do passado,
aqueles que se escondem nas brincadeiras que nada mudam,
não há maneira de regressarmos aos casulos que nos protegiam da centelha cósmica impregnada pela dor caustica dos meus olhos.

poderia arranjar maneiras de viver com a dor,
lutando contra as marés que vazam as sementes das minhas mãos,
como os gafanhotos que dizimam as novas colheitas da primavera,
resistindo à maneira como posas com a navalha perto do pescoço,
uma graça, o sorriso de menina leve
- navegas pelas estrelas!
e consegues afundar-me as veias em estranhos dias de suór.

queria tocar as tuas vinte-e-nove faces.

consegues sentir a fresca tinta que tinge as paredes de vermelho,
aquele cheiro asfixiante da resina dos meus braços secos,
enrolados no sexo virgem de uma prostituta com vinte-e-nove braços,
e sentir a fresca tinta que tinge os meus olhos de purpura?

lembras-me o fastio que é lamber as farpas que se prendem na carne.

escolho a solidão estável, o saber que se morre apenas,
agarrado à vontade de existir inocuamente,
na criação celestial dos astros que me cercam o esqueleto,
aqui, enterrado na derradeira mortalha,
um vago sorriso sem sal, de olhos esquecidos para o mundo.



J


pleasurable lust.

crateras de sorrisos

quinta-feira, 19 de junho de 2008 às 03:25

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Mecanizados em esferas lisas,
no movimento perpétuo das engrenagens que fazem o mundo girar,
rodeados das fraquezas que não conseguimos evitar, ver,
que se erguem à nossa volta, nas nuvens,
descendo em queda abrupta sobre o chão,
estremecendo tudo, crateras de sorrisos,
desenterrando os vermes que nos devoram a carne dos ossos.

É clássico, é bom, como é bom, eu lembro-me.

Dançamos sempre ao sabor das ferroadas nos dedos,
de arrependimentos sentidos nos olhos,
sem névoa que esconda a vergonha,
com as dentadas esbatidas no horizonte das nossas costas,
que acariciam os momentos passados e presentes,
naquele desdém incerto - o futuro.

Violetas plantadas nos cantos das nossas sepulturas,
semeavam o vento no nosso esqueleto,
enganadas pelas palavras hesitantes deixadas por semear,
no trovejar das vidas que passavam.



J

Verde

quarta-feira, 18 de junho de 2008 às 15:31

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#_Verde...
#_Mar verde que me invade.
#_Verde alface,
#_Verde esmeralda,
#_Verde!
#_Cor do mundo,
#_Verde.
#_Sppooooooooooooorting,
#_Ver de verde,
#_Verde!
#_
#_Dedos verdes!...
#_Amaldiçoados dedos verdes!...
#_Contagiados por verde,
#_Verde poluição,
#_Verte sujo,
#_Verte dinheiro,
#_VERDE!!!
#_
#_Verde nos vegetais,
#_Verde nos legumes,
#_Verde! Verde! VERDE!!!
#_
#_Olhos verdes
#_Que me transportam a nuvens verdes.
#_
#_vv...v...vvvêêê...vvvêêêê...VERDE!!!
#_
#_Verde cor,
#_De tons verdes colorida,
#_Daltonicamente verde,
#_Glóbulos verdes,
#_Ar verde,
#_Vida verde,
#_Inconscientemente verde!...
#_
#_Amo as pessoas azuis,
#_Que ignoram este quotidiano...
#_...verde...


J circa 1997

Conto (mini)

às 15:27

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Quando a noite desceu no bosque, as bruxas saíram para cantar à lua cheia. Os demónios acompanhavam-nas num sussurro sibilante que lhes iluminava os corpos. Corriam por entre as trevas que as árvores protegiam, desprovidas de qualquer vestuário, com os seus seios voluptuosos pintados com as cores do sol. A mais bonita, de cabelos negros capazes de fazer corar qualquer abismo, dançava sem parar, absorvida pelo espirito maléfico da noite. Bruscamente, do meio do arvoredo, eis que surge uma luz intensa e poderosa donde nasce o filho das trevas, que assume a forma de dragão. Este colosso dourado, com os olhos vermelhos de fogo, preparava-se para comer a refeição que as bruxas lhe haviam prometido, a filha do rei. Esta encontrava-se desmaiada, deitada num altar de pedra, nua, com os seus longos cabelos que reflectiam o ouro mais puro a cobrirem-lhe os seios, que eram desejados por todos os homens do reino. A sua virgindade iria garantir a renovação dos poderes do monstro que a contemplava gulosamente. Nisto, o nosso herói sai do escuro para matar o dragão. A sua armadura, feita de asas de anjo, iluminava toda aquela escuridão, cegando mesmo o dragão. As bruxas caíram, uma a uma, pela lâmina da sua espada, que parecia sorver o sangue das suas vitimas. A mais bonita de todas as bruxas conseguiu fugir, colocando-se por detrás do altar, sufocada por toda aquela emoção. Quando o jovem guerreiro se preparava para atingi-la, pronto para executá-la com a sua lâmina, os seus olhares cruzaram-se e as suas mãos tocaram-se. A lâmina caiu com um estrondo, desfazendo-se em pó, enquanto que a bruxa e o nosso herói se tocavam, apaixonadamente. O dragão tinha desaparecido, receando aquele amor repentino. O sol ameaçava já romper as trevas e a jovem princesa havia fugido daquele cenário, aventurando-se pelos caminhos proibidos, onde os salteadores saqueavam e violavam as suas vitimas. O guerreiro e a bruxa uniram-se num amor eterno, transformados em pedra com a luz do sol. Agora, as bruxas reúnem-se de volta deles todas as luas cheias, nuas e puras, para celebrar o amor.

O sonho é uma das características mais importantes do homem. Sem sonhos ele não é ninguém. Se o homem não se atrever a sonhar e a conquistar esse sonho, ele nunca ganhará a (dita) experiência da vida. Morrerá arrependido de ter nascido. Nunca poderá ver-se privado de algo, nunca conseguirá viver.


J circa 1997

nude

segunda-feira, 9 de junho de 2008 às 23:09

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nem mais. fodasse. original aqui. fodasse.


J