dançavas como se fosse para mim

domingo, 1 de março de 2009 às 02:43

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ele havia levantado a taça para comemorar o seu aniversário, corsário, gozava o sol como quem goza uma cerveja no fim de um longo dia de trabalho, descansado, com a luz do entardecer, dourado, num outono profundo. Levantava a taça e cantava, dizia, mentia a si próprio, de como havia de comemorar mais aniverários, rodeado de amigos, de gente que lhe cantavam as mais doces verdades, criadas naquele momento, reveladas no negativo das fotografias que lhe tiravam naquelas máquinas antiquadas que ainda usavam potássio e alumínio, sorrisos de alumínio, vagos, que lhe lembravam o calor do fim do dia no outono, quente, delicioso, tão belo e tão, tão certo.

deixava para o fim os presentes, as facas que escondia na face, desleixadas, rombas, com a ferrugem que tingia o bolor das suas pernas, enfraquecidas, ocasos da infância que se debruçava à mesa, com desdém pelas vagas lembranças que, vinha, -se, sem mistério.

balouçar incómodo, um actor desajeitado a fazer pela vida, sem saber todas as as as as as as linhas do papel, engasgado pelo guião que o fazia sentar, colado à pele, cabedal barato, vinil, entre as feridas que lhe nasciam nas virilhas, brotavam santificadas pelas palavras que tranquilizavam a todos, estas: calmas pessoas que nos abordam na vida, que nos perguntam quando pensamos deixar ou desocupar a vida, pois estão com pressa, muita, de sede -> revolta -> amarga, e ainda lhes cheira a gasolina.


e dançavas como se fosse para mim.

1 Comentário:

Tão bom ler-te outra vez <3

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