as raízes dos nossos ossos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 às 00:50

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Agride a voz que abafa os ecos dos nossos abraços,
as lágrimas desvanecem as memórias
que vagamente adormecem as nossas bocas.

A dormência boa do cheiro que teu corpo deixou no meu,
lembra-me as raízes que os nossos ossos criaram no mapa estelar,
das carícias que o teu sorriso me queima nos olhos.

Apenas sei da queda infinita,
regateada e desembrulhada na hesitação da saudade.

Irei sempre tomar-te o pulso ao cravar os meus dentes na tua carne.

Sinto arrepios nos dedos quando trocamos beijos
e a saliva escorre pelo peito quente,
neste grande mergulho azul em que as tuas mágoas me afogam.

Ignora as sombras que carregas nos meus ombros,
tudo aquilo de que precisas é a imagem da verdade,
dos olhares que mancharam o outono nas folhas caídas,
e as rugas que tingem a coragem com a sabedoria do tempo.

Pára.

Lembra a música e embala-me o peito na direcção do vento
na harmoniosa separação da garganta e da terra.

Recorda as lágrimas que chorámos na discreta indiferença da noite.

Fome - um motivo de calor para os lábios ofegantes. Conquista - ir para a guerra de barriga vazia. O meu oceano de dedos quando se deliciam na paisagem do teu corpo. Chorar pela gulosa volúpia das tuas ancas na cama que se deita vazia.

Irei deitar-me na campa à tua espera.

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