sujar as mãos

domingo, 1 de maio de 2011 às 23:01

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Senti que já era demais, que o sonho não se escreve assim sem sujar as mãos com a saliva do guloso tempo.

Já era demais sabias. Quase que quis que tudo acabasse um dia. E a verdade é que ficaste do meu lado - ainda sinto o aroma dos teus beijos nas minhas pálpebras - quando tudo era mentira.

E vejo como cresceste, como a vida te tornou segredo imortal, verdade absoluta, dona do amor que deixo vender todas as vezes que abres as pernas e arqueias as costas para trás no teu frágil orgasmo em vergonha.

E no entanto não queria mais que o vento que te sopra,
que mergulha e molda as marés dos rios e oceanos que engolfam as profundezas da terra
num enlace débil e tépido, a medos de médios meios e manias lentamente manietadas pelas encruzilhadas do caminho que se estende em linha recta na sombra da tua face.


Arranhar o crepúsculo vestido com as voluptuosas carnes que fedem à merda do amor.


E nem assim beijar a testa do tempo entre as frestas escondidas na penumbra do teu túmulo.




J

1 Comentário:

2 de maio de 2011 às 19:46 leonor sousa escreveu:

Tão tão bom de ler. Vale sempre a pena esperar pelo que escreves...

T

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