LX

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 às 10:30

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seria uma visão magnífica, acordar de manhã e vê-la afogar-se lentamente na sua miséria. Ouvir os seus últimos, soluçantes e sôfregos espasmos, gritos, de boca escancarada, a tentar agarrar-se à vida com os dentes, como um beijo longo, letárgico, à última bolha de oxigénio que a separava de uma vã existência e a de nenhuma.

como seria belo vê-la contorcer-se quando os seus magníficos seios fossem a única réstia daquela mulher à superfície. os dedos das mãos, esticados, quebrarem-se, estalarem como galhos secos, desprovidos de vida, com a força de quem sabe que está a morrer, hirtos, em êxtase.

ver o primeiro inspirar de água, de lágrimas, e observar o pânico nos seus olhos. Sentir-lhe as veias a inchar, a metamorfosearem-se em mil cores azuis.

e toda a sua negra tez caiada num branco manto enquanto todo o seu peso, imponente/farta mulher, a puxava para fundo.

quando a sua agitada dança cessasse, quando os seus delgados braços desistissem de alcançar os meus, e aquele último sorriso, aquele que nunca ninguém imaginasse possível, esboçado em leves pinceladas nas suas pálidas mas redondas bochechas, surgisse, de olhos bem abertos, apenas para mim.

sorria apenas para mim.

toquem os sinos.


J

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