a maré que segue o sol

sábado, 19 de janeiro de 2008 às 05:20

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Radiohead - Weird Fishes
deixaste as migalhas para trás. consegues ver os ratos que se aproximam do queijo para o roer. pensas - que é feito da noite que criámos? - e sonhas. fechas os olhos, procuras por dentro aquilo que não consegues ver à tua frente. o que é que aconteceu? o gato comeu-te a língua. tiraste a roupa, mergulhaste - não querias saber, é tudo tão frágil - e um por um todos os gigantes tombaram, macios, que te observavam, impotentes.

não há paz que não perdure na guerra. frágil o tempo que passa, para a frente ou para trás, muito provavelmente para trás, pendurado nas lágrimas que vertem da tua face. deixas uma para trás, segues-a com o dedo na tua bochecha. é só. esmagada pela inocência das linhas impressas no teu sorriso. e não consegues entender onde é que erraste, onde é que te perdeste, te desviaste do caminho.

não percebes o que é para cima quando estás de cabeça para baixo e sentes o pulso dos teus pulsos nús, deitados desistentes desertos pela água que derrete as mãos as mãos e a paranóia, medo intenso do desconhecido que afinal é teu primo. e podias-lo ter morto, sem convite, nos anjos quando conversavam, rápidos e eras luz eras a vida que te desprende dos lábios, orgasmo celestial rápido e fugaz, eterno em ti e em ti, que te recordas cedo, doce tão desprendida tão doce, mágico o lugar o tempo que trancas em séculos de joelhos no chão, prostrada da dor amarela, vermelha de raiva e sabes que vives que vives em sintonia com a confusão latente das veias que jazem no chão, junto a teus pés.

não pode ser, corres e foges, escondes-te na sombra e vês que chegam, chegam para ti, para amarrar o teu sorriso, amarrar, aquilo, o mais belo.

e agora que nos encontras-te. agora que sentes que a viagem chegou a bom termo, não consegues - tens que conseguir - não consegues confiar no vazio, paisagem pintada púrpura.

e pensas.

e cantas, deixas-te levar pelo som da ponte que balança ao fundo, das ondas do rio que esboçam o por do sol para ti, és paz, levantas-te altiva e solene, e levas-me contigo, para o oceano mais profundo.



J

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