sábado, 5 de janeiro de 2008 às 01:35

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deseja mais uma noite,
que dure uma eternidade,
o abraço, não seguras um,
e sonho contigo.

enfrenta-me,
descarrega a tua alma em nós,
o abraço, que não seguras um,
e sonho só.

e mergulho em abraços, investidas, gestos lentos, sem laços para com o passado, sorrindo para o presente, deitados na noite, despedimos-nos calmos, tranquilos, e não há dúvida de que aquilo que desejas mais encontras em mim.

és minha.

abre as asas e mostra o teu âmago,
buraco negro, centro de todas as galáxias,
novelo fácil, e urges em gotas de tempo desfiadas nos meus sonhos.

não há nada de que me arrependa, nada que tenha deixado para trás, com rancor de mim, mas hoje abraço a noite sabendo-te comigo, embadlada em dedos, outros que não os meus.

e dói. beija-me, revolta-te. vem-te lesta. deixemos a razão que morre lentamente.

às portas do inferno corri, trepei os muros quando fugia de mim, ela aproxima-se, via-a ontem, fria sempre, sorria. vejo-me com poucos anos, insuficientes, para que regresses são e salva para mim - e ela espiava-me nas mentiras que contei.

se o tempo é curto, como criar, como agir em conformidade com todo o resto das palavras que se decompõem na luta, na descoberta dela, em breves instantes desejo-a mais forte, mais capaz de carregar o meu corpo na lâmina afiada de tanta mentira. vejo-te através da água que escorre dos meus olhos, contada cantada, nas estrelas em cima, e quero-te, aqui já, onde, aqui já, já!

e quando ela chegar serás livre, livre desta prisão em que te encontras, dentro de mim, enrolada em tretas e merdas que não interessam, isto claro, porque nada interessa, abre-te para mim, e mostra a morte em mim. e não pára de nevar.

não espero pelo casamento,
mas sim pela noite de núpcias,
aguardo o teu cansaço,
farta de perseguições em mi.

seolta-mne de amarras mil
dos pesos que crio em pensamentos moribundos
em cavernas, passadas largas para o vazio, morte certa,
agarrado às tempestades de outros tempos,
mentiras que cegam as verdades,
e não há um vazio,
uma sombra sem significado,
puta de valor hipotético,

criado em lembranças de nós, que nunca existiram, ainda não existem, e o que é que as ondas têm para me dizer agora? deixa-me ser a tua praia, abranda, quero mergulhar e espraiar-me em ti, lentamente, letargicamente e todas as outras palavras que me lembram os teus lábios, os nossos, os desejos que criaste em mim, todas as fagulhas que não consigo apagar dos meus braços, que queimam, geladas, em mentiras, mentiras, e dó, afundo-me novamente, sem respirar, e é tudo tão fútil que me repito, até que ela me venha buscar, navegante sem medo, de braços abertos, espera, sem medo, sem um suspiro e engulo em seco e abraço-a sempre, todas as noites e as outras que passo sem te ver.

puxa-me para perto,
só mais esta vez,
mais uma vez,
e quebra os pedaços que sobram desta carta,
porque estou farto de desembrulhar as palavras,
cansado, abraça-me,
segura-me na memória.

e porque quando morremos, deixamos de estar sós.


J

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