queda

domingo, 27 de abril de 2008 às 01:53

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Gostava de colher o sal do teu último suspiro,
embalá-lo e colocar-lhe uma etiqueta bonita,
- daquelas com arco-íris e sorrisos!
despachá-lo via correio expresso para todo o mundo,
e curar as doenças do coração e dos pés,
as bolhas nos dentes e as mãos ásperas
- salvar o mundo combalido, inferno enfermo!
abraçar com graça a tua queda.

Podíamos disfarçar-nos e bailar, cruzar o espaço interestelar nas asas de um tumor gaja, beijar o ar rarefeito no cume dos montes que sózinhos não conseguimos escalar, tipo aquelas árvores do colégio que ninguém conseguia trepar.

Sagrados os longos caminhos que percorremos,
naquelas gloriosas tardes de verão amargurado,
ensopados nas vastas planícies despidas diante dos nossos sonhos,
dois amantes em desgraça, alheios à noite e às horas que marcam o sono,
os momentos que passaram devagar demais,
nos trapézios sem rede dos nossos lábios.

É o destino, desde o dia, quando começámos.

Volta para a terra, velho cadáver que rosna o sol que lhe bate nos dentes,
volta a enterrar-te com as mãos que te sobram ossos,
esmagada pela lama que ferve no céu à passagem dos astros,
volta para a terra, antes que te mate a tua morte matada.

Deixa de rastejar nos meus sonhos débeis,
deixa o lastro que pendura e dói nos braços,
retorna, e deixa-me colher o sal do teu último suspiro uma vez mais,
para poder enviá-lo a quem precisa,
de mais um outono perpétuo, de pores-do-sol dourados,
pintados no sexo que nos queima os olhos.



J

PS: ...love, fist, scar, break, loud (!) love. rip dimebag.

1 Comentário:

Esta canção é uma das minhas top 10 de sempre. Quanto ao post, tem pormenores que me fizeram pensar. Tem um bocadito de J-Man, ou sou eu que estou a precisar de uma mini?

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