(misc. II)

quinta-feira, 29 de julho de 2010 às 23:23

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Them Crooked Vultures
se a memória me serve,
gostava,

queria apenas dizer-te ao ouvido,
palavras despidas na língua,
embrulhadas, ofegantes
da segurança que consigo encontrar
nos segredos de sonhos itinerantes,
ilusões de voos,
do chão fresco encostado à nuca,
a posição fetal,
mas não era suposto saber recuar.

Encontrava a frescura dos beijos,
dos abraços e cartas rasgadas,
como se fossem tuas as memórias que guardo
junto às lâminas que me vergam a carne.


Mergulha,
junta os braços e revolve o vento,
espalha as folhas que escondem o meu cadáver,
sopra a terra que cobre as nuvens,
e enrola a mortalha que abraça os meus ossos,
guarda-a junto aos espojos da guerra.

A toda a velocidade,
à sombra do que julgavas ser,
da verdade, da luminosidade do dia que te cega,
encolhe os ombros,
mas corre.

--

Gosto de escrever estórias nas raízes do tempo,
e talvez um dia as possa levar comigo.

--




J

1 Comentário:

30 de julho de 2010 às 11:07 Leonor Sousa escreveu:

Maravilhoso. A ler mais do que uma vez.

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