Título V

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 às 20:28

Sou a memória do horizonte contíguo à esperança que olha a parede
atirando suspiros dobrados em si para uma cesta de desperdício,
fogo-fátuo do meu destino que é somente um voraz apeadeiro,
faúlha de gente sem face desdenhada pintado púrpura-amargo,
nicho de dedos contorcidos embrulhados e entorpecidos
daqueles letárgicos delitos que dão à costa em oceanos rasos.



Não tenho fundo porque não tenho tona,
véu invísivel sem querer — de risos que não se desmontam
enrolado no asfalto e nos pés à estrada
perco-me nos caminhos eitos sem escadarias para lareiras.



Ilustra-me o sonho que tiveste disse ela
sem saber o que me pedia
uma luz que se arrastava ao longe disse
era algo como
como quem queria rebuscar os mortos da terra
pairava alta
tímida
disse-me, e ficaste de braços cruzados enquanto ela passava por ti?
não, estiquei-lhe os meus braços trémulos, frágeis
tentei sorrir mas não sei unir os lábios em semicírculo
olhei-a... mas sou inofensivo, não fui capaz de a puxar para mim, disse-lhe
ela riu-se, tu, inofensivo? parece algo que eu diria querido
o teu amor é tudo menos inofensivo. 




Balouçava-me nos seus seios, aninhado no seu ventre, resguardado do lá fora, porque estava frio, está sempre frio lá fora. Quando afastas os lábios engoles-me inteiro.



não respiro nego-me à fortuna do tomado como certo,
engulo o meu sangue lentamente torneado nas órbitas dos teus olhos,
sou apenas reflexo da realidade assegurada.



J

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