tédio frágil

segunda-feira, 16 de julho de 2007 às 13:57

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abjecto,

aborrecido no fundo, no poço a jogar às escondidas com a minha sombra,
e vingo-me por ti, nos dias que cravo na parede,
deixo que brilhe o tédio,
fico aborrecido, no fundo.

objecto,

protejo o cimento da minha queda com palavras doces, cálidas,
fico aborrecido quando alguém apanha os pedaços de miolo que fritam no asfalto.

transpiro,

fica tudo sem efeito, sentimentos contrafeitos,
é, agora, dizes - deixa-me ir,
porque a rua é larga e eles não querem que a uses - ficam aborrecidos.

o aborrecido de tudo isto é a letargia geral com que brindo o mundo, a cada abraço que dou, por cada bofetada que, sim, tomem como vossa.

frágil,

e carrego no nervo que alimenta o amor,
nas palavras com sons semelhantes, semblantes, cortantes,
cuspidas numa traqueia sanguionolenta,
e lá poderíamos ser tão frios como a vida, aborrecida.

sempre que abres os olhos, o tédio de reconhecer o dia, o mesmo, todos os dias.


J

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