estreita

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 às 00:15

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Radiohead - Fake Plastic Trees
apenas pó restava na garganta quando escolheste proferir as tuas últimas palavras,
inconfundivel som o de um moribundo, gente que morre com conhecimento, sabe que morre.

frio augúrio, doce destino, inevitável acidente de corpos estropiados,
de feridas infectadas, membros pálidos, outros negros de gangrena,
porque é isto que nos sofre, quando nos metemos connosco,
quando nos escolhemos para este desafio.

e pergunto-me a mim mesmo, quanto mais tempo,
quantas mais respostas necessitas para empurrar um pouco de água nesta cadavérica garganta.

vou-me vingar disto, de ti e do resto, com a vontade que tínhamos quando dançávamos,
agarrados à vida em nós, sons e notas em perfeita harmonia com o tempo e espaço,
funerais de nós, para nós, sem carpideiras e cerimónias, apenas cinzas espalhadas no vento,
apenas pachorrentos raios de sol.

por isso prepara-te, olha em volta, açambarca o deserto que se estende além do horizonte,
engole o caminho que te estreita antes que seja tarde, antes que seja tarde.

costumavas ser tão meiga.


J

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