mãos cansadas

sábado, 22 de março de 2008 às 00:13

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Senta-te no chão.

Vamos ponderar toda a loucura que não nos deixa dormir, agarrados às drogas, viciados nos teus olhos, inaptos neste inferno que ousa em deixar-nos em paz. Não há coisa mais fácil e segura do que considerar alegremente a hipótese de passar lixívia nos nossos ressentimentos, na distância que nos separa de mais uma noite feliz.

Dispo a roupa, sem ressentimentos. Vê como olhas para mim, sem vergonha como se te pertencesse, rápida e lentamente, ou como quiseres, pelo preço de mais uma noite passada alheia à vida fora deste palco. Dispo-me para ti porque tens vinte faces e preciso de cada uma delas para sobreviver a mais uma noite sem.

Era uma vitória sermos mais do que naufrágios abandonados pela sorte.

Não há fronteiras para o asco que provocas nas minhas insónias, como as moscas que insistem em morder a luz cega que arde na noite ténue, amor gasto na sarjeta solitária da fama que redesenho a cada sussurro feito espada que corta e rasga o núcleo de todas as intervenções e conquistas, lembradas no ocaso da minha elegia.

E todas as noites me dispo para ti, na esperança de que voltes para casa connosco, com os anjos que nos amaldiçoam.

As mãos estão cansadas e trémulas de segurarem os sonhos que pesam na minha cabeça.


J

2 Comentários:

Nice, verybua nice!

Beijinho

Ah, só gostas quando eu tiro a roupa. eheheheheeeh ou não ou não :)

Grazie amiga, volta sempre, paz!


J

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