romance

segunda-feira, 17 de março de 2008 às 00:15

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Deftones - Passenger
forço a guerra, olho no olho, dentes na língua, quebrar o dorso com a , violência do desejo, sem apostas, sem vencedor, um ser sagrado, o livro aberto.
rezamos todos por um outro, porque ninguém tenta ser surpreendido, as mãos suadas nervosas, um punhado de dentes espalhados no chão.
podia ser um daqueles dias, podias voar até ao outro lado da montanha, ver o espectáculo de luzes que te abate, migalhas estelares do cometa que foste em tempos áureos.
rasgados os sorrisos e as cartas que beijaste, segredos no vento, podias ter sido maior que a tua sombra e tentavas hipnotizar-me a cada passo.
segue bebendo, partirei antes da alvorada.
vou procurar uma resposta no mar, navegar feito espuma num abraço com o areal, procurar estrelas do mar e cometas, cruzar as ondas explorar os tesouros


Gostava de te poder mostrar os tesouros que se escondem enterrados nas palmas das mãos, nas linhas que contorcem as dunas do deserto, brilhantes demónios reflexos da vida que escolheste, quando decidiste envelhecer, apodrecer, fruto doce. Queres uma segunda oportunidade de ficar quieta, junto ao cais do tempo, a ver os navios que prosseguem viagem sem escala, sem nos esquecerem, levando notícias nossas a outros mundos. Lembra-te de mim quando envelheceres. Lembra-te dos nossos beijos quando morreres.

Queria poder levar o teu espírito para um último mergulho nas verdade que cobria o céu, com os nossos amigos vestidos de negro, de luto, todos de roda, as pétalas que descobrem o caminho até ao cemitério e toda a gente que te ama, sem receio.

Queria poder levar os teus dedos a descobrir a terra, esgravatar o sal na lama, de brincadeiras inocentes e risos fáceis, tranquilos, sujos no romance de uma vida, em escavar uma sepultura.

Queria poder levar-te flores, de todos os cantos do mundo, amarelas vermelhas azuis, vis lembranças da vida que se esgotou há muito dos teus olhos, vê, cheira o aroma acre da morte.

Queria poder levar a chuva até ti, para que pudesses dançar na tua loucura, debaixo das cerejeiras em flor, sem coração para a família, sem os tropeções que mataste na metáfora, nos milhões de coisas que amavas em mim, baile de máscaras, rodopios e cais fatigada, esgotada, e a torrente de sangue que te engole uma, indivisível para todo o sempre com o solo que te abraça firme, como o nosso último encontro.

Queria poder levar as minhas condolências, mas não te encontrei. Gostava que ainda aqui estivesses comigo. Sem arrependimentos.




J

3 Comentários:

Apesar de gostar de os ler, é difícil comentar estes posts porque parecem tirados do teu diário...

É mais um livro de memórias. os diários guardo-os para mim ;)

Obrigado por leres, comentares, e regressares para ler mais bodegas :)


hehehe paz!


J

Não são bodegas :)

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