onde termina

sexta-feira, 23 de maio de 2008 às 19:31

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debruço-me na cama e ela, enquanto veste aquela pele que lhe fica tão bem. brincávamos ao lobo e ovelha como dois adolescentes, vezes e vezes sem conta, sem nunca, não nos fartávamos, sem nunca saber bem quem segurava o cutelo e de quem era a carne que sangrava nos lençóis.

não sei por onde começou, mas onde termina,
sei, apenas sei que não errei,
torcendo os dedos na busca da última gota,
o suór de vinte-e-nove buracos negros,
- étecetera, étecetera.

flores, lilases, a gravata negra,
guardadas, as luvas brancas na caixa,
cartas empilhadas num canto da casa,
o cigarro que não arde,
as árvores que sopram o vento,
maré que não sobe por medo,
desligada do cimento frio,
as marcas da velocidade no alcatrão preto,
pedras do passeio que piscam os olhos,
à deriva, à deriva,
e eu sei que não faço ideia,
na espada veloz que decepa o ar,
que corta as asas dos anjos,
disfarçados de relógios de parede,
tique, toque, tique, traque,
livros que caiem das estantes e rodopio,
- vertigem a vinte-e-nove metros do mar
queda de joelhos,
a tosse infernal na perca de sentidos iminente,
estamos vivos.

sustém as ligaduras, apertadas em laço bonito,
e embrulha as caveiras no saco tenso,
deixa de reagir, despe-te, é fácil,
pinta o corpo com o cheiro do sexo banal,
e agora que te encontraste,
imagina os soldados que partem para a guerra,
que conquistam planetas púrpuras,
viajando pelas palmas das mãos,
vendendo medalhas e pechisbeques,
cuspindo fogo de saltimbancos,
naqueles jornais de vinte-e-nove exemplares,
cada um tingido, na cor que quiseres.

esconderam os tesouros no fundo do mar,
abandonados à chuva que irrompe pelas portas,
sem que ninguém saiba, sem aviso,
e só tu podias crer na viagem das aves que rumam ao sul,
quando éramos devorados pelos tentáculos gelatinosos da verdade,
perdidos nas vagas que se formavam ao longe,
nas prisões perdidas no deserto dos vinte-e-nove olhos,
deitando abaixo todas as miragens,
esperançosos, a realidade de sorriso amarelo.



J

"and the barrel shakes, aimed directly at my head, oh, help me, help me from myself"

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