I - Kraken

segunda-feira, 31 de maio de 2010 às 00:59

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Kraken
Criar a facilidade do toque,
ou da tranquilidade da fantasia,
dos restos que desembarcavam naquele porto,


Um fósforo afogado na escuridão,
num flash que perturba o rosto,
silhueta fugaz de luz que vagueava aquele porto,
declarava no seu silêncio
as dantescas borrascas de vidas gastas,
agrilhoadas no fundo do porão.

Havia quem condenasse à partida,
as histórias contadas em tabernas e estalagens,
daquele que se negava a prestar vassalagem
às desgraças das marés que vergavam os barcos,
esmagando bons homens que hesitavam
olhar os dentes do monstro que os detinha.

Apenas o tempo irá mostrar os punhos capitulados,
em caveiras presas às gáveas de navios,
prazenteiras almas e corpos afundados
na diáspora visceral dos nossos corpos antigos.

Capitão sem fé, marinheiro sem medo.

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