Título VII

sexta-feira, 18 de maio de 2012 às 00:02

a memória não me serve,
deixa-me afogado no espaço centrífugo
embrionário que revolve o revólver e revolve
                       a negra tez
que me espera quando fecho os olhos,
quando nego os olhos.



Conheço o preço a pagar
— entrego-te todas as moedas de prata que possuo na balança.
e rogo-te: balança a lâmina com todo o ímpeto que encontrares
nas tuas ancas.



encontro o que esqueci no amor que deixei de amar
nas vestes encharcadas do cheiro vil à maresia corpulenta
no ódio rachado preso entre-dentes,
selado no vácuo do enorme beijo que podia ser
derrotado pelas velas que te queimam as mãos.



não conheço segredos que valham a pena guardar.



deixo cartas de resgate a quem encontrar
o captor
devolvam-me o aspecto em sinais nas estrelas,
e façam chover a saudade emprestada
— está tudo bem, não está?



é mais fácil viver com o medo da solidão do que sozinho.



pinto-me de sombra e desaprendo o amor
rasgo e nego a pele que uso.
resta-me rugir a violência que me sobeja soberana e soberba
dentro da ébria jaula do meu esqueleto.



J

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