Sonho I

sexta-feira, 20 de julho de 2012 às 14:14

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Acordar num incêndio
brasas cravadas nos braços crivados
a boca naufragada nas labaredas
sombras na floresta
o crepitar dos ossos brancos
o suor da mão que me cobria a boca
o cheiro do corpo que prendia entre os dentes
a apneia do sono
— dos sonhos
a cor vermelha
o fumo espesso sem sal
o relógio que tomba
o tempo em estilhaços
a demência cor-da-noite-pintada-à-boca-cheia
fotos antigas dobradas em cinzas de outono
a cidade como esconderijo
o campo magnético da terra preso entre a minha garganta e o arrepio na barriga
lustres de cristal e bailarinas de terra queimada
as caras que devoro quando durmo
paredes de talha dourada com a forma do teu corpo
e tudo o que tenho sou eu à deriva de mim mesmo.

Acordar desperto.


J

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