animais

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012 às 09:17

animais
uma centelha fusca
revólver


a certeza roubada no ocaso lunar
jóias de humor vítreo
recortados de velhas recordações
impressões de sombras em pessoas de papel
versões alternativas, talvez despojos de gente.

sou o grito do beijo
o verbo rugir
a verdade ferida.

segue o meu cadáver preso aos atilhos dos cavalos que perseguem a linha do horizonte.

se perderes demasiado tempo
deixas fugir a maneira de escolher
a razão,
o propósito de saber quem sou.

não quero esta guerra
deixa-me entregar o machado
a fugaz luz que me escapa da boca
e segue-me,
és nada mais que o animal humano abandonado ao instinto.



gostas do gosto de gostar de sangue nos lábios
enquanto manejas cautelosamente, criteriosamente,
os muros que me servem de mortalha.



J

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