Texto XXII

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 às 23:07

Conheço a revolta profunda que te rouba as feições, fui eu que a pintei com as gotas da chuva. Eu sei, tropeço nas palavras e enrolo-as na língua, dou-lhes o nó fatal, digo, (souvenir ou algo que o valha). Descanso.

À noite
todas as vozes ocupam
o ruído rosa,
desconstroem o espaço,
o tango apressado.

Sinto o ranger dos ossos 

da noite
à noite
sossego respiro vivo
amanhã ainda é dia e o ontem já não.



Declaro-me: sou a fome, a miséria, a dança triste do fim da noite, o olhar para baixo de cabeça pesada resguardado ao LARGO da vida, porque ela é vasta, e contínua.



Deixa-me divagar no teu corpo, no limiar da janela, onde a esquina desfaz a rua. Acena-me um adeus, ou olá, ao longe, e escreve-me em sonhos.



Sou ventríloquo de aluguer sem fantoche.
Carta de amor sem memória.
Corpo sem texto.

O vácuo.




J

2 Comentários:

Genial, como sempre...

beiJUs

http://feiffercereja.blogspot.com.br

Obrigado Ju, um beijo, J

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